Laboratório

2013-01-21

Má qualidade do ar interior em creches e infantários

 

Foi apresentado recentemente um estudo sobre a qualidade do ar interior em creches e infantários.
Trata-se do projeto ENVIRH – Ambiente e Saúde em Creches e Infantários, tem como principal objetivo “estudar a relação entre o edificado, o ambiente interior e a saúde, em instituições de ensino pré-escolar, pretendendo encontrar a relação entre a qualidade do ar interior, ventilação e a saúde das crianças”. Este projeto nasceu da parceria entre diversas valências técnicas com atuação na área da Qualidade do Ar Interior, nomeadamente técnicos de saúde, médicos e engenheiros ligados aos sistemas de ventilação e climatização, tendo no seu “núcleo duro”, o Lab. Nacional de Engenharia Civil, o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge e a Faculdade de Ciências e Tecnologia e a Faculdade de Ciências Médicas, da Universidade Nova de Lisboa.
No dia 18 de Janeiro foi realizado o primeiro seminário alusivo ao projeto, tendo sido apresentados os resultados preliminares, o que se traduziu também no interesse da comunicação social. Foram vários os jornais que publicaram os resultados apresentados e os comentários dos intervenientes. 
Transcrevemos excertos da notícia publicada pelo Jornal Público:
“A investigação avaliou 125 salas de 19 creches e infantários em Lisboa e no Porto e encontrou uma qualidade do ar inadequada, com elevadas concentrações de bactérias e dióxido de carbono, que está associada a problemas respiratórios nas crianças.
No que se refere às bactérias – indicador de uma má renovação do ar e que não são necessariamente patogénicas (que causam doenças) – o máximo detetado foi superior a 26 mil UFC (unidades formadoras de colonias) por metro cúbico quando o valor de referência em Portugal é de 500 ufc/m3. No capítulo dos contaminantes químicos, o valor máximo de dióxido de carbono (CO2) – outro indicador da renovação do ar – o máximo detetado foi 5647 mg/m3 quando a referência se fica pelos 1800. Os resultados preliminares da segunda fase do projeto Ambiente e Saúde em Creches e Infantários (ENVIRH) foram apresentados nesta sexta-feira, em Lisboa.
O investigador confirma, porém, que os dados obtidos mostram uma “relação estatística e evidente deste indicador com a presença de problemas respiratórios, como a sibilância nas crianças”. Os resultados preliminares do ENVIRH revelam que em mais de 50% dos estabelecimentos analisados os limites de CO2 estavam acima do recomendado (1800 mg/m3). Entre as 73 salas avaliadas em Lisboa, a média de dióxido de carbono encontrada foi de 1850 mg/m3 e o valor máximo foi 5630. Nas 52 salas do Porto, o máximo foi 5647 mg/m3 e a média foi de 2541 mg/m3.
No caso dos dados sobre a concentração das bactérias, estes estão claramente muito acima do recomendado (500 UFC/m3) em Portugal nas regras sobre a qualidade do ar no interior dos edifícios.  Nas salas de Lisboa a média foi de 3115 UFC/m3 e o máximo de 26280 UFC/m3. No Porto o máximo registado foi de 18770, porém, a média foi de 4432.
Depois de uma primeira abordagem geral em 45 estabelecimentos de Lisboa e Porto, os investigadores recolheram dados mais pormenorizados com medições sobre a qualidade do ar e avaliações sobre a saúde das crianças em 19 creches e infantários das duas cidades.
Os resultados agora divulgados referem-se à avaliação feita durante a Primavera (os dados recolhidos no Inverno ainda não foram analisados). Entre muitas outras variáveis, foi analisada a influência que o tipo de janelas ou pavimentos podem ter na qualidade do ar das salas. Aparentemente, as janelas basculantes serão as mais recomendáveis e os pavimentos de madeira e cortiça os menos aconselháveis.
Numa terceira fase do projeto, será ainda usada a importante ferramenta de simuladores para obter conclusões mais sólidas sobre este tipo de influências e o seu efeito no ambiente e na saúde das crianças. Em Julho, a equipa do ENVIRH apresentará uma manual de recomendações que poderá (deverá) ser usado pelos estabelecimentos. 
Enquanto o projeto ENVIRH  avança para conclusões nas creches e infantários, a equipa de investigadores começou já a visitar alguns lares de idosos com o mesmo objetivo de avaliar a relação entre o ambiente e a saúde. As medições e questionários já avançaram em mais de 60 lares de idosos do Porto e Lisboa.”  
 
O laboratório de ensaios da Adesus, Lda, encontra-se acreditado para realizar recolhas de amostras de ar, dois dos parâmetros avaliados no âmbito do Decreto-Lei n.º 79/2006 e seguindo a metodologia definida na nota técnica NT-SCE02. Para além da avaliação dos parâmetros microbiológicos, o nosso laboratório de ensaios está apto para avaliar todos os outros parâmetros contemplados.
Trabalhos já realizados pela Adesus, Lda em diversos estabelecimentos de ensino, nomeadamente creches e infantários, revelam resultados que vão ao encontro das conclusões para já obtidas pelo grupo de investigação do projeto ENVIRH demonstrando que tão importante como manter a temperatura dos espaços onde as crianças permanecem a maior parte do seu dia, é a renovação do ar respirado.
As soluções para este problema podem passar por uma maior preocupação das instituições em instalar, para além de sistemas de climatização, sistemas de ventilação/renovação de ar; mas bem mais simples e barato do que isso, a criação de rotinas que permitam às crianças sair das salas por períodos em que se proceda à abertura das salas para renovação de ar a partir do exterior, pode ser a solução.  
 

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